Há muitos anos, 1937, 38, na Beira Interior, encosta da Serra do Caramulo. Faz frio, cheira a estrume, tudo é tosco, rude, sujo, escuro...
Isadora falha no seu proposito de casar com o herdeiro da aldeia. Julgava ela que aquelas noites de luxuria no meio da palha e das chibas, que a juras de amor do jovem abastado, seriam a sua alavanca para fora da pobreza imunda em que vivia,...até já tinha no ventre o herdeiro do herdeiro.
Infelizmente para Isadora em 1938 os herdeiros não casam com mulheres de 30 anos, claramente fora de prazo, sem terem onde cair mortas.
A lamúria de que teria o jovem herdeiro desflorado a moça não pegou...a moça já não era tão moça assim e além do mais, na aldeia, vários já se tinham aliviado entre as suas coxas... era uma moça fogosa.
A criança, rejeita-a, semi educa-a. Aliás prática normal, como constatei mais tarde quando visitei aquele lugar horrendo, perdido lá no interior norte. As crianças são educadas pelos velhos que estão em casa, porque os pais estão a trabalhar. Dantes no campo, agora nas fábricas, mas a tradição mantem-se. Acontece naturalmente, não é preciso pedir, combinar horários, pagar, nada, é curioso :)
E Orlando foi criado assim, por todos e por ninguém. Porque Isadora não estava nem aí para a maternidade.
E já ardilava outro plano para tirar o pé da merda.
Tinha arranjado trabalho no sanatório do Caramulo como servente.
Isadora, não sendo uma mulher bonita, chamava a atenção. Tinha aquele ar de quem gosta de sexo... E gostava, se havia coisa que Isadora gostava era de sexo.
E porque gostava procurava, e porque procurava encontrou. Encontrou Bernardo, doente em recuperação, que também gostava de sexo, e longe da mulher e filhas, cedeu às investidas da ardente Isadora.
Atravéz de Bernardo, das histórias que contava da sua cidade Lisboa, do seu bairro Campo d'Ourique,...Isadora começou a sonhar com uma vida ainda mais glamorosa do que aquela que o jovem herdeiro lhe proporcionaria, caso esse ardil tivesse resultado.
Em Lisboa é que era!!
Lá é que ela ia ser feliz :)
Bernardo recebia de Lisboa cartas da esposa. Estas cartas eram escritas por Laura, vizinha de Ester, esposa de Bernardo. Como muitos na altura, Ester não sabia ler nem escrever.
Laura tinha vivido na mesma casa que Ester e Bernardo habitavam em Lisboa. Tinha sido assim que se tinham conhecido.
A familia de Laura tinha crescido. Já eram 3 filhos, o espaço era curto naquela casa. André, seu marido, tinha um emprego melhor, podiam mudar-se para uma casa maior. Longe daquelas vilas operárias que existiam nas trazeiras daquela casa, com as quais André não gostava que Laura convive-se. André aspirava a mais, a melhor, e não gostava daquela mania, aquele íman que Laura tinha para pessoas estranhas, com histórias de vida macabras...onde é que ela descobria aquela gente...não eram de má índole, mas falavam mal, diziam asneiras, tinham habitos rudes e Laura acabava por adoptar todos aqueles trejeitos menos próprios.
André gostava de Laura. Era uma mulher bonita, vistosa, mais alta que a maioria das mulheres do seu tempo. Era educada. Sabia ler e escrever. Não havia muitas com essa qualidade.
E por saber ler e escrever, Laura era muito requesitada para ler e escrever cartas de toda aquela gente das vilas operárias de Campo d'Ourique, que um dia foram seus vizinhos, e ficaram amigos para a vida.
Assim, Laura lia e escrevia as cartas de Ester para Bernardo e deste enquanto este esteve hospitalizado no sanatório do Caramulo.
Sem nenhuma das duas desconfiar que à cabeceira de Bernardo estava Isadora, ardilando um plano...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
Acasos
...na vida não há acasos, ou só há acasos...
em tempos, casei me, convencida q estava a começar a minha vida de adulta, independente, q ia ser feliz para sempre, q ia constituir familia e ser feliz.
feliz, feliz...
foi seguramente a época mais infeliz da minha vida, onde vi morrer todos os meus sonhos, onde reforcei todas as minhas inseguranças e adquiri mais algumas, senti me falhar,...doeu porra, doeu muito constatar q cometi um erro com tantas consequencias...
...e depois visto daqui tudo parece um baile encenado, uma coreografia caótica, como se fosse um remoinho do qual nao conseguimos fugir...
...quis o acaso q, na espiral descendente em q me encontrava, tropeça se naquele q viria a ser o pai dos meus filhos...
...quis tb o acaso q ele habita se a casa onde a minha mãe nasceu !!!!
...e apartir daí acontecessem uma série de acontecimentos, eu tomo conhecimento de uma série de factos tenebrosos e realidades assustadoras, tudo fruto do acaso, q deveriam ter servido de aviso, e eu nao vi, porque eram fruto do acaso, ou por nao ha como fugir aos acasos...
Tudo aquilo parecia um filme italiano estilo 'Feios ,porcos e maus'...
Era tudo sujo, pobre, mesquinho, era demasiado mau para ser verdade,
Nao sei até hoje se foi por acaso, mas correu mal.
os acasos acontecem me com frequencia...
talvez por q sou uma procrastinadora como diz o T, deixo tudo ao acaso :)
em tempos, casei me, convencida q estava a começar a minha vida de adulta, independente, q ia ser feliz para sempre, q ia constituir familia e ser feliz.
feliz, feliz...
foi seguramente a época mais infeliz da minha vida, onde vi morrer todos os meus sonhos, onde reforcei todas as minhas inseguranças e adquiri mais algumas, senti me falhar,...doeu porra, doeu muito constatar q cometi um erro com tantas consequencias...
...e depois visto daqui tudo parece um baile encenado, uma coreografia caótica, como se fosse um remoinho do qual nao conseguimos fugir...
...quis o acaso q, na espiral descendente em q me encontrava, tropeça se naquele q viria a ser o pai dos meus filhos...
...quis tb o acaso q ele habita se a casa onde a minha mãe nasceu !!!!
...e apartir daí acontecessem uma série de acontecimentos, eu tomo conhecimento de uma série de factos tenebrosos e realidades assustadoras, tudo fruto do acaso, q deveriam ter servido de aviso, e eu nao vi, porque eram fruto do acaso, ou por nao ha como fugir aos acasos...
Tudo aquilo parecia um filme italiano estilo 'Feios ,porcos e maus'...
Era tudo sujo, pobre, mesquinho, era demasiado mau para ser verdade,
Nao sei até hoje se foi por acaso, mas correu mal.
os acasos acontecem me com frequencia...
talvez por q sou uma procrastinadora como diz o T, deixo tudo ao acaso :)
12 de Maio
Mexicana, Praça de Londres, 12 de Maio 2011,
Gosto de beber café na Mexicana, servem a Madalena com um garfo. Lembra me a infância, a bica na Tentadora nas manhãs de fim de semana. É bom comer assim, tem um certo charme, um certo...faltam me palavras, tenho um vocabulário tremendamente pobre :(
Devia ler mais, aprender, adoro aprender, se pode se estava sempre na escola...
mas perdi me como sempre...falava de bolos com garfo, q é bom e glamoroso, mas eu sinceramente prefiro ir partindo pequenos pedaços com os dedos, e assim vou lambendo e chupando a ponta dos dedos...é tão bom :)
Está um senhor na esplanada onde me encontro a fumar cachimbo, a mesma marca q o meu pai fumava, reconheço o cheiro, meio adocicado,a minha mãe adorava.
A minha mãe faria 82 anos hoje. Eu e o meu pai compraríamos presentes q ela abriria com entusiasmo. Para logo de seguida com uma franqueza despida de qq apreço pelo nosso esforço em agradar lhe, dizer q não era nada daquilo q queria. É das memórias mais vivas q tenho da minha mãe: os seus amuos e birras infantis
Gosto de beber café na Mexicana, servem a Madalena com um garfo. Lembra me a infância, a bica na Tentadora nas manhãs de fim de semana. É bom comer assim, tem um certo charme, um certo...faltam me palavras, tenho um vocabulário tremendamente pobre :(
Devia ler mais, aprender, adoro aprender, se pode se estava sempre na escola...
mas perdi me como sempre...falava de bolos com garfo, q é bom e glamoroso, mas eu sinceramente prefiro ir partindo pequenos pedaços com os dedos, e assim vou lambendo e chupando a ponta dos dedos...é tão bom :)
Está um senhor na esplanada onde me encontro a fumar cachimbo, a mesma marca q o meu pai fumava, reconheço o cheiro, meio adocicado,a minha mãe adorava.
A minha mãe faria 82 anos hoje. Eu e o meu pai compraríamos presentes q ela abriria com entusiasmo. Para logo de seguida com uma franqueza despida de qq apreço pelo nosso esforço em agradar lhe, dizer q não era nada daquilo q queria. É das memórias mais vivas q tenho da minha mãe: os seus amuos e birras infantis
Subscrever:
Mensagens (Atom)